Conversas Cartomânticas: Um Lenormand para Noites Sem Fim.

Conversas Cartomânticas: Um Lenormand para Noites Sem Fim.: MEA CULPA : eu não sou adepto dos baralhos transculturais em geral. Por mais que isso possa soar conservador (e, de certa forma, é), ...

Dia do Baralho Lenormand - 25 de Junho | Ano III (2014)

E então chegou ao fim a "grande semana"! Hoje estamos no início do dia 30 de Junho e SÓ a semana terminou, o "dia" certamente deverá reverberar em nossos corações por muito tempo... Mas que dia?

O Dia do Baralho Lenormand, comemorado todo dia 25 de Junho, está em seu terceiro ano de comemorações. A data demanda uma preparação de meses, uma cooperação gigante e uma dedicação enorme... Reclamar? NUNCA! Eu sempre irei repetir: o Dia do Baralho Lenormand é TODO DIA. Para aqueles que, como eu, o utilizam como oráculo, conselheiro, amigo-presente, está está e estará sempre ali, a mão... Gente que, como eu, ama mesmo o "Lennie" sabe que ele merece ser homenageado.

Como tudo começou

Um dia eu pensei nisso mais a sério. Queria mesmo um dia de festa! Em maio de 2012, ao procurar informações sobre o dia, se já havia ou não, encontrei uma página criada no inicío do ano, em fevereiro.  Socorro Van Aerts, dona da De Keizerin Boutique, havia criado uma página no Facebook "com o intuito de não só prestigiar esse oráculo maravilhoso, mas também de prestar uma homenagem à figura pela qual ele se popularizou, ou seja, a célebre Madame Lenormand." ¹ 

A página havia sido criada, mas o dia não havia sido definido. Como a própria Socorro disse em seu depoimento este ano, "algo que começou com um sementinha numa terra bastante fria, úmida e sujeita a um tempo nada amistoso." ¹ E foi assim que eu acabei "entrando no bolo". Fizemos uma enquete, definimos o dia e seguimos em frente. Hoje temos uma página oficial no Facebook e um Blog Oficial.
 

A terceira edição em 2014

E lá se vão três anos! Este, de 2014, foi sem dúvida o melhor de todos. Acho normal, é um crescimento, algo que vai envolvendo, se retro-alimentando, ampliando... Imagina a minha felicidade, a minha alegria em ver tanta gente que, como eu, ama esse oráculo! Este ano tivemos muitos sorteios, com itens doados por nossos amigos (obrigado, gente, de coração!), participações incríveis em textos, fotos, vários esclarecimento sobre a origem histórica do Lenormand, suas formas de ser visto por estrangeiros e brasileiros... Foi incrível, mesmo. Tudo ainda está em nossa página do Facebook, fiquem à vontade para ver.

Os sorteios este ano foram publicados bem antes, no dia 18. As participações nos sorteios estavam a mil e tivemos uma média de 2 mil visualizações na página e nem era dia 25 ainda! No dia mesmo, que página colorida! Nestes dias que antecedem o DBL e após eu fico direito em nossa página e pude acompanhar as muitas e maravilhosas participações. Ainda temos um concurso de fotos rolando, tem cada coisa linda que vai ficar difícil de decidir, rs... 

No dia 24, tivemos um webnário com Rana George (autora do best-seller "Essential Lenormand") organizado por Karla Souza (criadora do Esmeralda Lenormand) e com a tradução de Alexsander Lepletier (do blog Lenormando). Tivemos muitos participantes, informações incríveis - e ainda se pode ver o vídeo aqui. 

Para a semana ficar mais perfeita, no sábado eu tive um atendimento oracular com o Baralho Petit Lenormand que foi maravilhoso. Saí de lá e confesso que chorei, lembrando e agradecendo por cada minuto dos dias que haviam passado... QUE SEMANA! E ainda não havia acabado! Recebi ligações de parabenização e mensagens de reconhecimento, e para quem faz tudo procurando a excelência foi maravilhoso perceber que tudo havia dado muito certo. Eu "olhei para cima" e agradeci, emocionada, pelo sucesso da data, por mais um ano, pelos amigos, pelas participações, pelo nome do Baralho Petit Lenormand ter se elevado, por eu ser um canal oracular e por estar tão feliz por estes dias. 

Dizer nomes é bem difícil, porque são tantos e tenho medo de ser injusta e não colocar todos! Porém, linhas se fazem necessárias para agradecer especialmente a todos os que estiveram comigo, mais perto, por todo este processo. A Socorro Van Aerts, obviamente, obrigado por tudo e por me permitir ser "uma boa jardineira para a sementinha plantada". Pelas palavras de incentivo, nos momentos de tensão durante a semana (rs), agradeço a André Wolf (more, te amo!). A Priscilla Lhacer, Dina Guerreiro, Luqiam Osahar, Iony Ming, Emanuel J. Santos, Karla Souza, Kátia Barbosa, Tânia Durão, Nivia Peggion e Fábio Donaire por estarem comigo e com todos através dos lindos prêmios doados para sorteio no dia, foi incrível! Alexsander Lepletier, Sonia Boechat Salema, Victor Magalhães, Marcelo Bueno, Renata Vasconcelos, Odete Lopes, Luciana Onofre, Katharina DupontJulia Tourinho, Paulinha Rodrigues, Tato Cunha, Carinah Ruiz, Leonardo Chioda (Café Tarot), Constantino Riemma (Clube da Tarô), Donnaleigh de LaRose nos EUA e todos os que escreveram, divulgaram, participaram e estiveram comigo estes dias todos em prol do Baralho Petit Lenormand.
 
Desde já, agradeço de coração a todos que compartilharam suas vivências, decks pessoais, momentos únicos... Que pararam um momento para tirar fotos especiais para honrar este dia... Que leram todos os textos incríveis que foram feitos para enaltecer a data, dentre muitas outras coisas. Que esse dia se torne a cada ano maior, com eventos, encontros, mais vivências... Vamos continuar alimentando essa energia, vamos trocar, compartilhar, fazer com que todo esse conhecimento que o Lenormand traz seja (re)conhecido e que o Dia do Baralho Lenormand seja TODO DIA! 

Desejando desde sempre que venham mais "lenormânicos", "lenormólogos", "lenormaníacos"!! Saber-me parte disso desde o início é e sempre será uma grande honra.

* Muito, muito obrigado a todos!
Feliz Dia do Baralho Lenormand (Journée Lenormand) - 25 de Junho!
#JourneeLenormand 


Repostagem do "Zephyrus Tarot" - Com quantas escolas se faz um Lenormand?


Maravilhoso texto escrito em homenagem
ao Dia do Baralho Lenormand | 25 de Junho.

Com vocês, Marcelo Bueno.

Com quantas escolas se faz um Lenormand?

Como sempre fui um curioso, com a propagação da Amazon em vários países, não foi difícil, meio na orelhada, comprar alguns livros franceses sobre o Petit e o Grand Jeu Lenormand – ainda que eu não leia nada de francês (pareceu que seria mais fácil do que em alemão). Meio ao acaso, também comprei nessa época o único título em inglês que encontrei e hoje sei que é uma grande referência, escrito por Erna Droesbeke von Enge. Por conta dessas novas fontes, descobri que o Navio não representava “Saúde” ou “Mudança” e que os Pássaros estavam longe de representar “Pequenos Gorjeios” em alguma leitura para lá do Equador.

O primeiro impacto disso foi uma certa insegurança ao olhar a Montanha num jogo e ficar na dúvida se considerava o atributo do “Obstáculo” ou da “Justiça”, mas tudo é uma questão de escolha e eu, ainda por um tempo, optei pela leitura com a qual estava mais familiarizado.

Não lembro quando conheci o Alexsander Lepletier, ainda nos tempos do Orkut, mas depois disso se tornou muito mais frequente ler (e conversar) sobre as interpretações que eram encontradas na Europa. Foi numa dessas trocas que eu usei despretensiosamente as expressões “Escola Brasileira” e “Escola Europeia” para pontuar essas diferenças e até hoje ele diz que sou o ‘pai’ da terminologia, o que me diverte.

Fato é que, mesmo nessa ocasião, não havia o volume de informações que encontramos hoje em dia. E eis que a Escola Europeia foi fragmentada em Escola Francesa, Escola Alemã, Escola Belga e o que mais ainda pode vir pela frente.

Do meu ponto de vista isso é um ganho, pois você tem a chance de conhecer coisas novas e fazer opções – inclusive combinando escolas, quando isso é pertinente. Já conversei com uma pessoa que depois de estudar os conceitos do Velho Mundo, disse preferir o Lenormand Tupiniquim –  e não há nada de errado nisso.

Não sei se muitos intérpretes do Lenormand não conhecem direito o Tarot ou se esqueceram que há diferentes interpretações para os Arcanos Menores, por exemplo. Alguns preferem o Waite de raiz, outros, o Crowley moleque, e ainda os que seguem diferentes linhas de raciocínio e baralhos temáticos. O que eu sempre digo quem me questiona a respeito é “abrace uma escola e seja feliz”.

É ridícula a necessidade de “ter razão” em uma conversa entre profissionais quando se trata de discutir os atributos de algumas cartas.

Ponderações, no entanto, são sempre bem vindas com uma atitude humilde de que quem contesta, a receptividade de quem é contestado e a cabeça aberta de ambos, pois o que importa é se o atendimento ao cliente é funcional, ou seja, se o método que utilizo, assim como os atributos que tenho em mente, são eficientes em avaliar uma situação prática e oferecer caminhos.

Para o consulente a diferença é irrelevante. Alguns perguntarão se a escola é essa ou aquela, da mesma forma que me perguntam qual o baralho que eu uso. Qual o propósito da consulta? Se for discutir simbologia, faça um curso. Se for aconselhamento, relaxe e deixe o resto por minha conta.

Fora isso, tudo é um grande jogo de ignorância e vaidades. Eu, sinceramente, já não me assombro mais com as bobagens que leio e ouço de pessoas que manipulam esse oráculo querendo desmerecer uma escola ou método com a intenção de jogar confetes sobre si. Pior, com pessoas que falam da Escola Brasileira como se fosse algo de gente sem acesso aos “verdadeiros” ensinamentos, mas que até bem pouco tempo viviam dessas referências. #euseioquevocefeznoveraopassado

Enfim, o Lenormand pode ser um oráculo fascinante, mas depende, como qualquer outro oráculo, do grau de interesse de quem o interpreta para ser algo raso e fofoqueiro ou tão completo quanto a necessidade do momento. Não perturbe se um faz leitura livre e outro atribui valores por casa, se joga com 3, 5, 9 ou 36 cartas, se divide a Mesa Real em passado, presente em futuro, em quadrantes ou se os atributos das cartas mudam dependendo da distância entre elas e a carta do consulente. Faça o seu trabalho e não se esqueça que as cartas funcionam de acordo com as regras de quem conduz a leitura.

No Brasil ainda são muitas as influências que criam mitos desnecessários e estereótipos altamente prejudiciais à classe. A própria terminologia ‘baralho cigano’, a meu ver, deveria ser abolida. Lá fora também se adota a expressão gypsy cards, mas para diferentes sibilas e sempre com o intuito meramente comercial.

Nas comunidades do FB e fóruns presenciais, as pessoas deveriam pedir menos ajuda para interpretar os jogos ‘dazamigas’ sobre afeto e investir mais na ampliação de repertório. Um cara apareceu dia desses em um grupo tentando achar padrões matemáticos e, certo ou errado, um monte de gente ficou indignada. Vivemos em um mundo em que as pessoas se ofendem por muito pouco, infelizmente.

Ao invés de escrever sobre uma carta, como fiz com a Raposa no ano passado, resolvi deixar esta contribuição para o #JourneeLenormand ou Dia do Baralho Lenormand de 2014. Em alguns momentos acho mais interessante refletir sobre posturas do que exibir conhecimento.

Para quem não sabe, a data foi escolhida por ser aniversário de falecimento de Mlle Lenormand – aquela que não inventou o baralho. Outras informações aqui ou aqui.

quarta-feira, 25 de junho de 2014

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Reblogagem do "Via Tarot" - Como é a sua consulta?


Uma das pessoas que acompanho na vida virtual, Cacau Gonçalves e seu blog "Via Tarot" possuem textos incríveis. Um deles condiz muito com o que penso a respeito de uma consulta e, por este motivo, o republico aqui. Os destaques são meus. Apesar dela estar falando do tarô, são detalhes que também servem bem numa consulta com o Baralho Petit Lenormand. Com vocês, Cacau Gonçalves.

Como é a sua consulta?


Hoje, eu li o email de uma moça que acompanha o Via Tarot e resolveu fazer uma consulta, mas antes gostaria de sanar uma série de dúvidas resultantes, em parte da sua curiosidade, em parte da sua experiência com outros profissionais. Achei tão válidos os questionamentos e tão explicativa a minha resposta, que resolvi transformar em postagem e trazer aqui para o blog. Espero que gostem!

Comecemos pela consulta. Quando ela é completa, incluindo mandala e perguntas, eu prefiro que a pessoa não fale nada antes e eu faço primeiro a leitura da mandala e já apresento um quadro geral da situação. Assim, não sou influenciada por nada que ela diga e posso ver com mais clareza o que o tarot informa. Depois, a pessoa faz perguntas no restante do tempo. Na consulta de meia hora, como não temos tanto tempo para fazer isso, peço perguntas mais objetivas do tipo "o que posso esperar para a minha vida afetiva nos próximos 3 meses?" E a partir do que sair neste primeiro jogo, depois podemos ir esmiuçando a história através de outras perguntas, durante o tempo previsto. Já aconteceu da pessoa preferir me contar a "história pregressa" antes, então ela envia um email uns dias antes, contando tudo que acha importante e no dia vamos direto para as perguntas, pois então eu já estou sabendo do panorama geral.
Bem, agora eu vou te falar sobre a minha abordagem de jogo, que costuma ser diferente do que se vê de um modo geral. O meu foco, definitivamente, não é adivinhar o que vai acontecer, muito menos afirmar em quantos dias isso vai acontecer. Por duas razões:

1) Eu não acredito neste nível de precisão... O tarot não é um relógio ou um calendário, e o tempo é definido muito pela forma como a pessoa é e as outras pessoas envolvidas na situação também. Vou te dar um exemplo: tenho clientes que fazem uma consulta completa, religiosamente, a cada três meses, porque esse é o tempo em que as coisas que saíram no jogo vão se mostrando... Outros aparecem a cada seis meses e outros a cada ano. E outros ainda em um mês e meio me procuram dizendo que tanta coisa já aconteceu e mudou sua vida, que precisam fazer um novo jogo. As pessoas são diferentes. Pessoas mais ansiosas costumam atrasar os acontecimentos, digamos assim... Enquanto aquelas que pensam menos e agem mais permitem que os processos se realizem de maneira mais ágil. Eu, de um modo geral, recomendo uma consulta a cada 3 meses, a não ser que algo totalmente novo surja pelo caminho e a pessoa sinta a necessidade de fazer uma nova consulta antes que os 3 meses se completem. Pra mim, seria muito fácil fazer o contrário: estimular a dependência da cliente e ganhar mais, mas eu prezo, antes de tudo, o bem dos meus clientes, quero que as pessoas aprendam a lidar com suas ansiedades.

2) Eu acredito que somos nós que construímos o nosso futuro, dia a dia. O tarot serve para mostrar tendências, se vamos confirmá-las ou transformá-las, isso é nosso livre arbítrio. Por isso, meu tarot é de orientação. Eu mostro a tendência... Se ela for positiva, a pessoa continua agindo da forma como vinha fazendo antes, se for negativo, a pessoa precisa mudar suas posturas diante da vida. Outro detalhe: não sou eu que dou conselhos... Não sou eu dando a minha opinião. É o tarot que mostra o que a pessoa deve fazer. E quando, por acaso, eu sinto o impulso de opinar, eu aviso que é algo que eu estou "sentindo" ou pensando e que isso não tem a ver com as cartas. Gosto muito de diferenciar uma coisa da outra.
Minha relação com o tarot envolve a responsabilidade do que se diz a alguém e o tanto que isso pode influenciar seus passos a partir daí. Uma consulta de tarot pode funcionar como uma "maldição" se o profissional der o enfoque para os aspectos negativos, sem mostrar soluções e possibilidades. E eu te pergunto: se o tarot mostrasse somente o que vai acontecer, sem possibilidade de mudança, de que adiantaria saber o que vai acontecer adiante? Somente para sofrer antecipadamente ou para "deitar em berço esplêndido" e não fazer nada, já que tudo vai dar certo mesmo? Não acho isso nada produtivo.

Em termos práticos, o tarot é muitas vezes mágico e mostra com uma exatidão incrível o que vai acontecer em seguida? Sim! Vira e mexe alguma cliente me escreve e diz: "Nossa! Aconteceu exatamente o que você falou e eu nem imaginava de que jeito isso poderia acontecer!" Isso é muito gratificante! Mas eu acho ainda mais gratificante quando uma cliente me escreve e diz: "olha, você falou que eu deveria mudar nesta postura e eu resolvi te ouvir e mudei e agora estou muito feliz porque consegui transformar uma série de situações da minha vida". Isso me deixa muito mais feliz ainda!

Existe uma verdade sobre a qual não podemos contestar, já dizia Newton...rs A toda ação corresponde uma reação. O que acontece na sua vida é resultado das suas ações... E também dos seus pensamentos e sentimentos, que vibram de uma maneira capaz de materializar situações, atrair ou repelir pessoas. Meu maior objetivo com o tarot é mostrar claramente isso, através do jogo e mostrar onde as coisas estão fluindo bem, onde há bloqueio, quais talentos você tem disponíveis e quais limitações estão atrapalhando a sua vida. A ideia é essa! ;-)

Bem... Acho que é isso! rs Ah, sobre "errar", nunca contabilizei isso... Mas pensando rapidamente me lembro de uma meia dúzia de vezes, nestes 16 anos de trabalho, de situações em que apesar do jogo mostrar uma coisa, a cliente insistia em "resignificar" o que saiu, tentando empurrar a situação para o que ela queria. Depois me procurava e dizia que tinha "dado errado" o jogo e então eu perguntava "em que aspecto, exatamente?" e ela me dizia. Então, ia lá nos meus arquivos e mostrava pra ela: "veja só o que eu escrevi aqui... É a mesma coisa que vc está falando?" Não... Nunca era...rs Daí a razão de eu sempre recomendar a todo mundo fazer o jogo por escrito ou para quem prefere o skype, gravar a consulta. Assim, evita-se qualquer mal entendido resultante da ansiedade ou dos desejos.

segunda-feira, 23 de junho de 2014

Meu Primeiro Lenormand

"Como escolher seus baralhos de tarot? - Vale Lenormand também! :D"
Blogagem coletiva a convite de Priscilla Lhacer - Amor Próprio.NET
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Vislumbrar o que não se nota, saber mais sobre o que não se entende, conhecer, descobrir... Muitos são os motivos daqueles que desejam dar os primeiros passos no mundo oracular. A cartomancia é uma das opções disponíveis mais acessíveis e engloba todo aquele sistema que utilize cartas - sejam elas de tarô, de cartomancia comum, etc.

O Baralho Petit Lenormand, também conhecido como Baralho Cigano, é uma das opções disponíveis neste nicho, um sistema de cartomancia baseado nas tradições divinatórias europeias dos séculos XV a XVII. Reconhecido no mundo todo como eficaz e simples, preciso e objetivo, o interesse recente fez com que ele fosse estudado, explicado e cada vez mais entendido pelos seus praticantes. Ainda é algo pelo que passamos, com descobertas ainda "frescas", e o bom é saber que as origens históricas deste baralho estão sendo desmistificadas e divulgadas ao público em geral.¹

 - Mas é esse mesmo que eu quero aprender! Onde eu compro? Por onde começo?  


Opções de Baralhos Petit Lenormand disponíveis
no mercado atual.
Como lidar com tantas opções?
E eu respondo, "do começo"! (rss) Assim como o be-a-bá, é preciso dedicar-se ao estudo deste sistema desde o básico. Conhecer bem a história, se inteirar das (re)descobertas recentes, entender melhor quem é este tal "Lenormand" - e este conselho serve não somente para isso, como para tudo na vida que necessite dedicação.

Após isso, para dar prosseguimento aos estudos, o ato de escolher um baralho é algo imprescindível. Hoje, após decidir que deseja de trabalhar com o Baralho Petit Lenormand, o estudante já se depara com uma enorme oferta de baralhos dos mais variados! Como lidar com tantas opções de decks ou conjuntos de cartas de um baralho feitas no mesmo padrão editorial? Como lidar com as diferenças que surgem entre os estilos existentes?

Não é algo difícil, acredite. Para além do gosto pessoal e artístico na escolha de seus decks, claro, a escolha de um baralho deve também atender as exigências do seu sistema cartomântico e de leitura oracular. Seguem abaixo alguns dos pontos que acho importantes para se levar em consideração na escolha de seu primeiro deck lenormânico:

 

1) Decida a qual estilo irá se dedicar primeiro! O Baralho Petit Lenormand é hoje popular em todo o mundo. Hoje sabemos que ele foi criado na Europa, mais precisamente na Alemanha. Foi introduzido em mais países europeus que deram a ele interpretações similares e pequenas diferenças entre cada significado proposto. Ao chegar no Brasil foi conhecido como Baralho Cigano e novos significados foram agregados. E qual é o verdadeiro? TODOS!

É preciso entender que dentro do sistema LENORMAND são muitos os tipos e baralhos criados, mas todos eles possuem uma simbologia linear. Cada carta traz simbolismos que, independente de como são graficamente mostrados, falam da mesma coisa. A carta da CASA sempre trará em si o significado e interpretação dada a CASA. Se ela tem 3 ou nenhuma janela, ainda falaremos da CASA.  O que faz mudar o que ela diz não é o desenho e sim o estilo que é utilizado nas interpretações: se é brasileiro ou europeu e, em sendo europeu, se é alemão, francês ou espanhol, dentre outros.


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Ao lado, como ilustração, temos cartas de baralhos de dois estilos para efeito de comparação. Na fileira superior as cartas no estilo tradicional pertencem ao "Mlle Lenormand Fortune Telling Cards" da editora austríaca Piatnik. Na fileira inferior temos o estilo brasileiro representado pelo "Tarô Cigano da Trybo Cósmica”, editado e distribuído no Brasil por Katja Bastos.

Só nestas três cartas são três tipos distintos de diferenciação. Na primeira coluna, a carta do NAVIO surge com grafias semelhantes, mas no estilo brasileiro ela possui ligação com Yemanjá e seus atributos são diferentes da escola européia. Na segunda coluna, a diferença está principalmente na representação do símbolo da CEGONHA, que no deck brasileiro foi desenhado como um beija-flor. Já na terceira coluna, a cartas dos RATOS é similar em desenho e possui os mesmos atributos nos dois estilos.

Lidar com estas diferenças nas 36 cartas de um baralho é um pouco mais complicado!  Portanto, o melhor é definir logo de início qual caminho seguir, para evitar quaisquer tipos de confusão de significados. Recomendo que pesquise bastante e conheça os estilos antes disso, veja em qual se sente mais confortável e adaptado. Após isso, um deles deve ser escolhido e seguido com dedicação e coerência. Caso deseje trocar de estilo depois é possível, recomeçando os estudos como se fosse a primeira vez. E não utilize dois estilos de leitura em um único jogo, pois é a definição do ESTILO (ou ESCOLA, como também é chamado) que irá definir o significado atribuído a cada carta de seu baralho durante a leitura e irá também ajudar na compra do primeiro Baralho Petit Lenormand.


 

2) Muitas pessoas se perguntam: como irei ler um oráculo se não sou desta ou daquela religião? Entenda que qualquer objeto, moeda, cartas, dentre outros, podem dar uma "resposta" desde que exista um padrão já determinado no sistema de leitura. O ato de interpretar tais respostas, estabelecer sentido e passar adiante a mensagem é possível por conta da interpretação dos símbolos contidos no oráculo consultado. Vem daí o entendimento de que se estudarmos a simbologia e os métodos de um oráculo nos é possível interpretá-lo! Não é preciso, portanto, associar-se a alguma linha religiosa para realizar leituras lenormânicas.
 

Ilustração de Ciro Marchetti
Essa questão é mais forte aqui no Brasil, onde muitas pessoas conheceram o Baralho Petit Lenormand como Baralho Cigano quando este lhes foi apresentado dentro de linhas religiosas que lidavam com Orixás e/ou guias ciganos espirituais. Para começo de tudo, este baralho em sua ORIGEM não é cigano. Como falei acima, fico feliz que as origens históricas deste baralho estão sendo desmistificadas e divulgadas ao público em geral. Isso não desmerece a escola brasileira, muito menos a associações “canarinhas”, mas é importante saber que o Baralho Petit Lenormand em si não se associa a nenhuma ordem esotérica ou linha religiosa.
 

Independente disso, é imprescindível estudar os preceitos do estilo escolhido. Esse estudo sempre irá ajudá-lo a compreender o simbolismo e os significados presentes no estilo escolhido: o estudo traz a consciência não só do que quer dizer um determinado símbolo, mas de como ele foi elaborado, em que momento da história ele surgiu e como isso tudo influencia na leitura. Isso vale, logicamente, ao Baralho Petit Lenormand. 
 

Portanto, se você vai estudar o estilo brasileiro na linha que fala também dos Orixás, você precisará RESPEITAR E ENTENDER, no mínimo, mesmo que não creia nesta vertente de crenças. Se seguir o que traz os ciganos espirituais, terá que ao menos aprender o que é necessário dentro desta linha para realizar uma consulta, pois algumas coisas são dogmas a seguir (elementos na mesa, como deitar as cartas, significados, etc). Também vendo "ao contrário", o Baralho Petit Lenormand foi criado em uma sociedade mais antiga e essencialmente católica cristã, e muitos de seus símbolos refletem isso em origem. Você pode não ser católico, mas você precisará RESPEITAR E ENTENDER tudo o que diz respeito a isso também, já que o estudo deles em contexto ajudará na interpretação das cartas.

 

3) Dentro do estilo que deseja seguir, escolha um baralho que o reflita. E no que diz respeito ao estudo, o melhor é escolher um deck que seja "clássico" e que tenha seus símbolos bem distintos e claros. Os estilos fazem com que os significados sejam diferenciados, porém não totalmente diferentes. Segundo Karla Souza, criadora do Esmeralda Lenormand, "como dizem os maiores tradicionalistas, há mais semelhanças que diferenças entre as escolas/estilos". Se formos no cerne do significado, eles falam das mesmas coisas, apenas com ênfases diferentes.

Claro que os artistas que desenham as cartas pendem por um estilo! Os baralhos feitos no Brasil refletem mais a correspondência aos Orixás e/ou os significados do estilo brasileiro. Veja a imagem ao lado como exemplo: os baralhos daqui possuem na carta de número 02 os "PAUS E PEDRAS" já que no estilo brasileiro ela lida mais com o conceito de pequenos obstáculos (à direita). Já os baralhos importados refletem mais o estilo tradicional, trazendo o "TREVO", que dentre alguns significados fala da sorte extra para evitar e/ou ultrapassar pequenos problemas (à esquerda). Ou seja, se você irá se dedicar a um estilo, ter um baralho de acordo irá ajudá-lo bastante.
 


Um parênteses:  usar o não o naipe cartomântico que existe em alguns baralhos? Saiba que na criação do Baralho Petit Lenormand, quando as cartas de jogar receberam sua imagem pictórica, elas ainda podia ser usadas como JOGO E como ORÁCULO. E dentro da leitura oracular, foi o naipe de baralho junto ao símbolo que ajudou as pessoas na época a lembrar o significado divinatório de cada uma - isso é entendível quando vemos que a cartomancia alemã “tia do Lenormand” é mais condizente com os símbolos que foram atribuídos as cartas. Ou seja, NAIPE e SÍMBOLO podem se complementar, mas o uso disso ou não depende de você e do estilo que irá se dedicar.

 

4)  É imprescindível para um oráculo imagético como o Baralho Petit Lenormand que os símbolos estejam claros na mente do oraculista. A teoria básica do estilo deve sempre existir, mas os insights que se têm no momento da abertura do jogo não podem ser descartados. Imagens mais simples permitem que sejam feitas mais rapidamente as conexões entre as cartas; já aquelas mais complexas atrasam esse processo. Se as cartas de um baralho tem muitos símbolos que o confundem, deixe-o para um estudo mais avançado.
 

Já os desenhos devem ser claros, identificáveis! Principalmente porque o jogo com o Baralho Petit Lenormand é lido também como um mapa: ao abrirmos as cartas elas são lidas em conjunto, através de combinações, de acordo com a questão, vendo a distância até a chamada carta-tema e TAMBÉM como um conjunto coeso, um quebra-cabeça! Procure, portanto, os baralhos que tenham símbolos claros e entendíveis para você no início de sua jornada. Por exemplo, no seu baralho escolhido a carta do BUQUÊ não deve se parecer com uma COUVE-FLOR e confundi-lo! (rss)
 

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Veja: as cartas ao lado pertencem ao baralho “Les Vieux Jours Lenormand Deck”, criado por Pam Batista e distribuído pela empresa americana The Game Crafter. São elas, da esquerda para a direita: a LUA e a CEGONHA. Você consegue identificar as cartas corretamente? Seria plenamente aceitável que numa primeira olhadela a primeira carta fosse confundida com a de número 29, a DAMA/MULHER; e a segunda carta poderia ser confundida com a carta de número 12, os PÁSSAROS, por conta do ninho.
 

ps: eu sempre dei preferência os baralhos tradicionais, o que não me impediu depois de comprar os baralhos temáticos, os não convencionais, alguns com formatos ou cores diferentes, etc... Porém, no início, foi um deck tradicional o meu escolhido, e ele é querido até hoje: é o editado pela Piatnik, já mostrado anteriormente. 

 

5) Ainda em dúvida sobre qual baralho escolher para investir em uma compra? Não se preocupe, há solução! Existem hoje muitos decks que são distribuídos para estudo na internet e que podem lhe ajudar no início. Alguns artistas/designers lenormânicos como Melissa Hill, Carrie Paris e Pepi Valderrama disponibilizam arquivos para impressão e utilização livre desde que seja apenas pessoal, não comercial e/ou comercializável.
 

Eu disponibilizei também um deck para estudo chamado LENORGRAM (imagem acima; clique aqui e acesse). São cartas feitas com fotos que foram submetidas ao filtro "earlybird" da rede social Instagram. As cartas estão numeradas de 01 a 36 e cada uma delas possui indicada a carta de baralho correspondente no canto inferior direito. Para quem não possui ainda um deck próprio ou gostaria de ter um pra estudo, fique à vontade para imprimir as cartas e utilizá-las. Disponibilizei ainda a arte do verso das cartas e uma carta bônus, a de número 12, tanto na versão "Os Pássaros" como na versão "As Corujas", para que possam escolher.
 

Foto de Donnaleigh de LaRose
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E que tal fazer um baralho só seu? É uma idéia excelente! Para aqueles que lidam com oráculos, saber-se próximo, quase íntimo do instrumento que se utiliza é algo fantástico. Temos praticamente um bate-papo que flui como uma conversa entre amigos. E que tal trazer não só o significado, mas também o símbolo em si para um tema que você goste e criar um oráculo pessoal?! É possível utilizar um deck e customizá-lo, como mostra a figura acima, ou ainda proceder com a criação das cartas dentro do estilo de sua escolha. Talvez você possa usar colagem para fazer suas imagens: selecione algumas que lhe interessem e tente incorporá-las em seus desenhos. Se você achar que tem veia de artista, faça uma série de rascunhos das imagens primeiro, ou procure materiais diferentes para esculpir, imagine, se lance no inusitado! Desde que funcione para você, é válido: pense no que o simbolismo significa para você pessoalmente. Você pode fazer isso para aprendizado, ou pode inclusive utilizar para a arte da divinação, tanto faz! O importante é que tenha a mente aberta para aprender de formas diferentes. Pense nestas formas diferentes de lidar com o seu oráculo, tenho certeza de que será uma experiência gratificante. Para mim foi uma experiência única e bastante divertida, e algo que eu recomendo.
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Ter um deck/baralho novo em mãos é um exercício de reconhecimento. É preciso, portanto, estar confortável e atraído pela ferramenta escolhida e estudá-la sempre que possível. O baralho cabe na sua mão? Fica fácil lidar com ele numa mesa de jogo ou ele ocupa muito espaço? Os detalhes chamam a sua atenção? A cada olhar você tem uma descoberta ou um enorme ponto de interrogação?

A curiosidade do porquê aquela carta foi desenhada daquele jeito é uma coisa; olhar para a carta e NÃO ENTENDER o que está acontecendo é outra. Para tanto, nunca pare de estudar e ampliar conhecimento sobre o estilo escolhido e a simbologia existente. O Baralho Petit Lenormand tem uma vantagem sobre os demais: por possuir um simbolismo próprio e muito próximo de nós, isso faz com que ele seja um oráculo do "cotidiano". Seus símbolos são atuais até hoje, pois mostram coisas, objetos e itens presentes em nossa vida e facilmente entendíveis e transponíveis por seus leitores. Antes dos estilos, antes de sua criação, ele fala conosco através da linguagem simbólica, subconsciente, e saber mais sobre o que cada carta mostra é algo que engrandece.

Claro que o estudo das lâminas e dos símbolos do Baralho Lenormand amplificam os significados, mas devem sempre ter como ponto de referência o momento onde foram criados e o que significavam estes símbolos naquela época. Não se pode fugir da matriz simbólica, nem tampouco se limitar a ela! Estude, amplie, reforce os laços com o seu baralho. Isso é algo que recomendo sempre que um deck novo é comprado, inclusive.

Espero que com estas dicas e questionamentos fique mais fácil para que cada um possa saber quando achou o Baralho Petit Lenormand certo para “chamar de seu”Boa sorte a todos!


¹ Para saber mais sobre a história por trás do Baralho Petit Lenormand, leia:
   * http://journee-lenormand.blogspot.com.br
   * http://falandolenormandes.blogspot.com.br/p/o-sistema-conhecido-no-brasil-como.html


Blogagem Coletiva | Texto escrito em 02/05/2014
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